Alfabetização ainda é desafio no Brasil, e jovem autora Celina Mariani reforça poder da leitura desde a infância
Abril, considerado o mês literário, ganha ainda mais relevância no Brasil diante dos desafios da alfabetização: dados do Ministério da Educação indicam que apenas cerca de 59% das crianças estão alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental. O cenário reforça a importância do incentivo à leitura desde cedo — caminho que marcou a trajetória da jovem autora Celina Mariani.
O mês reúne três datas importantes dedicadas ao tema: 2 de abril (Dia Internacional do Livro Infantil), 18 de abril (Dia Nacional do Livro Infantil) e 23 de abril (Dia Mundial do Livro), que destacam o papel dos livros no desenvolvimento infantil, estimulando imaginação, comunicação, criatividade e pensamento crítico.
Ao mesmo tempo, o IBGE aponta que o Brasil ainda tem cerca de 11,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, apesar da taxa de alfabetização de 93%, evidenciando a necessidade de fortalecer o hábito da leitura desde a infância.
A trajetória de Celina Mariani exemplifica esse impacto. Apaixonada por leitura e escrita desde cedo, ela descobriu a poesia aos 9 anos, no terceiro ano do ensino fundamental, durante uma atividade escolar. “Eu descobri que amava escrever ainda criança e nunca mais parei. A escrita sempre foi uma forma de organizar meus pensamentos e expressar o que sinto”, conta.
Seu primeiro projeto foi a história não publicada “A menina que amava flores”, inspirada em sua própria personalidade. Com incentivo da mãe, Juliana, surgiu o desejo de publicar um livro. Ainda aos 9 anos, Celina lançou “Os Poemas da Celina”, pelo Grupo Editorial Scortecci, reunindo textos sobre sentimentos e observações do cotidiano. A obra, ilustrada por Helena Pinta e Borda, foi lançada em 2018 na Praça Pereira Coutinho, em São Paulo.
Celina estuda na unidade paulistana da Avenues: The World School, escola internacional fundada em Nova York em 2012 e inaugurada em São Paulo em 2018, com foco em formação global e estímulo à criatividade e comunicação. Seu projeto literário ganhou repercussão na instituição: a biblioteca incorporou exemplares ao acervo, e o livro foi traduzido para o inglês, com cerca de 100 cópias enviadas aos Estados Unidos.
A experiência levou Celina a participar de encontros virtuais com alunos sobre poesia e escrita criativa, e toda a renda das vendas foi destinada a doações. A iniciativa também inspirou outros estudantes a promover ações solidárias para ajudar moradores de Brumadinho após a tragédia ambiental de 2019.
Hoje, aos 17 anos, Celina segue dedicada aos estudos e à escrita. Atualmente, realiza intercâmbio acadêmico na Itália, onde também aprende o idioma. Além da produção literária iniciada na infância, destaca-se pela facilidade com idiomas: fala inglês, espanhol, francês e mandarim, e agora amplia o repertório com o italiano.

