Conflitos entre alunos exigem abordagem estruturada das escolas para evitar casos de bullying, aponta especialista

De acordo com estudos da UNICEF, um a cada três estudantes sofrem bullying pelo menos uma vez por mês ao redor do mundo, e 36% se envolvem em conflitos físicos. Os impactos na vida das crianças e adolescentes vão desde queda no desempenho até dificuldades de relacionamento na vida adulta. Nesse contexto, a importância de intervenções estruturadas por parte das escolas é essencial, inclusive para evitar que desentendimentos menores se desenvolvam para episódios de bullying.

Segundo Andréa Piloto, diretora pedagógica da escola Vereda, o papel da escola vai além da mediação pontual. Instituições de ensino têm adotado abordagens mais amplas, que incluem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, práticas restaurativas e espaços de escuta ativa. A ideia central é que o conflito não seja apenas interrompido, mas compreendido e ressignificado.

“Conflitos entre colegas são inevitáveis, especialmente em um ambiente onde diferentes repertórios, valores e formas de expressão convivem diariamente. O papel da escola não é eliminá-los, mas ensinar os alunos a lidar com eles de forma construtiva”, afirma Andréa. “Quando a escola atua de maneira estruturada, ela ajuda o estudante a desenvolver empatia, comunicação e responsabilidade pelas próprias ações.”

Entre as estratégias mais eficazes estão a mediação guiada por educadores, rodas de conversa e a inclusão do tema no currículo pedagógico. Essas iniciativas contribuem para que os alunos reconheçam emoções, compreendam o impacto de suas atitudes e desenvolvam habilidades de resolução de problemas.

“É fundamental que o aluno perceba que o conflito pode ser um espaço de aprendizado. Quando bem conduzido, ele fortalece vínculos e prepara a criança para desafios futuros, dentro e fora da escola”, diz a diretora. “Ignorar ou apenas punir não resolve. É preciso criar um ambiente seguro onde todos possam se expressar e refletir.”

Além dos benefícios individuais, escolas que trabalham ativamente a gestão de conflitos tendem a apresentar melhorias no clima escolar como um todo. Redução de episódios de bullying, aumento do engajamento e maior sensação de pertencimento entre os alunos são alguns dos efeitos observados.

“Ao incorporar práticas consistentes de mediação e educação emocional, a escola amplia seu papel formativo e contribui para a construção de relações mais saudáveis, preparando os estudantes para interações mais equilibradas ao longo da vida”, conclui Andréa.