ARBOS reúne famílias para discutir os desafios de educar crianças e adolescentes na era digital
O uso de celulares por crianças e adolescentes, os limites da exposição às telas e o papel das famílias na formação das novas gerações estiveram entre os temas da palestra “O Desafio de Educar na Era Digital”, realizada na quinta-feira (15), pelo Colégio ARBOS, no Teatro Municipal Paulo Machado de Carvalho, em São Caetano do Sul. O encontro, gratuito e aberto à comunidade, aproximou famílias e educadores de uma discussão cada vez mais presente na rotina doméstica e escolar.
Conduzida pelo pediatra, sanitarista e ativista pela infância Daniel Becker, a palestra integrou o Farol da Educação, iniciativa que faz parte da programação comemorativa dos 40 anos do ARBOS. “Queremos abrir essa conversa para toda a comunidade, porque as dúvidas sobre o uso da tecnologia fazem parte da rotina de muitas famílias. Receber Daniel Becker nos permite aproximar o conhecimento sobre a infância das situações que pais e educadores enfrentam no dia a dia e refletir sobre como acompanhar crianças e adolescentes com atenção, diálogo e responsabilidade”, afirma Elza Maria Cia, Fundadora e Mantenedora do Colégio ARBOS.
No encontro, Becker chamou a atenção para a importância das experiências no mundo real durante o desenvolvimento infantil. “A cada minuto que ela perde de vida no mundo real, ela está perdendo a oportunidade para seu desenvolvimento”, alertou, ao abordar a exposição às telas nos primeiros anos de vida.
A discussão sobre tecnologia e infância passa por uma questão que vai além da quantidade de horas diante dos dispositivos. “É preciso considerar o que crianças e adolescentes deixam de vivenciar quando o ambiente digital ocupa o espaço das brincadeiras, das conversas, da convivência familiar e do descanso”, diz.
O pediatra também defende que a entrega do primeiro celular seja adiada sempre que possível. “A orientação das famílias não termina quando o aparelho chega às mãos dos filhos. O estabelecimento de regras claras para o uso da tecnologia, o acompanhamento dos conteúdos acessados e a definição de horários são medidas importantes para proteger outras dimensões. É fundamental que os jovens desliguem as notificações e que os pais levem os celulares para seus quartos à noite”, complementa.
Becker também destaca a importância do tédio no desenvolvimento infantil. Segundo ele, “o tédio tem um valor inigualável para a criança”. A ausência de estímulos constantes abre espaço para a imaginação, a criatividade e a invenção de brincadeiras, habilidades que precisam de oportunidades para se desenvolver.
A responsabilidade, nesse contexto, não pode ser transferida exclusivamente às crianças e aos adolescentes. Os adultos também precisam rever seus próprios hábitos, dar o exemplo e participar ativamente da construção de uma relação equilibrada com a tecnologia. O diálogo e a supervisão devem caminhar juntos, de acordo com a idade e as necessidades de cada etapa do desenvolvimento.

