Patrulha Maria da Penha de Mauá completa 12 anos em evento concorrido
Mais de 400 pessoas compareceram ao evento que comemorou os 12 anos de implantação da Patrulha Maria da Penha da Prefeitura de Mauá, na manhã de sexta-feira (06/03), no Teatro Municipal, com a presença de autoridades e representantes do poder público e sociedade civil. O prefeito Marcelo Oliveira destacou a importância da Patrulha Maria da Penha para proteger as mulheres de Mauá, com e sem medidas protetivas emitidas pela Justiça.
Demonstrando tristeza e indignação, Oliveira relatou o fato de que no Brasil uma mulher é vítima de feminicídio a cada quatro horas, 97% das vítimas foram mortas pelo companheiro ou ex-companheiro, fora os casos de violência psicológica, que não deixa marcas visíveis. "Nós pagamos o aluguel para mulheres que não podem voltar para casa em razão da violência, encaminhamos para capacitação profissional e emprego da forma mais sigilosa, para que elas possam sair do ciclo de agressão", explicou o prefeito. Oliveira ainda conclamou os presentes a denunciar quando souberem de casos de violência doméstica.
O prefeito lembrou que a secretária de Políticas Pública para Mulheres, Cida Maia, vai representar a cidade na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher na Organização das Nações Unidas, de 9 a 19 de março, em Nova Iorque, juntamente com a delegação brasileira. O convite partiu do Ministério das Mulheres a partir do trabalho desenvolvido junto ao Sistema Único de Atenção à Mulher de Mauá, que representa a sistematização e integração de diversos serviços públicos no combate à violência. Ele citou ainda sobre o grande sofrimento das famílias diante do ato covarde que resulta em um feminicídio.
A secretária destacou o fato de a cidade ser a com maior número de denúncias no ABC Paulista, “este aumento das notificações representa que nosso trabalho de informar sobre os tipos de violência e divulgar os serviços disponíveis para a prevenção, atendimento e combate, está dando resultado. As mulheres de Mauá estão tendo coragem de denunciar porque agora sabem que não estão sozinhas. Temos toda uma rede para apoiá-la e aos seus filhos.”
A juíza da 1ª Vara Criminal de Mauá, Danielle Galhano Pereira da Silva, desenvolveu uma palestra em que falou da importância do trabalho integrado e que o combate à violência passa pela punição dos agressores, mas também pela prevenção, assistência e educação, envolvendo toda a rede de proteção.
Danielle Galhano afirmou: “A violência está aumentando e tem a ver com a nossa educação.” Galhano detalhou aspectos da Lei Maria da Penha, citando que é considerada uma das três leis mais importantes, segundo o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas. A juíza destacou que questões relacionadas às meninas e meninos vítimas de violência estão contempladas também pela Lei Henry Borel, menino gaúcho assassinado pela madrasta, com conivência do pai no Rio Grande do Sul.
Danielle Galhano explicou que a violência contra a mulher é baseada na questão de gênero, uma vez que cinco mil anos de patriarcado deixou marcas na sociedade, permitindo que as mulheres fossem vistas como propriedade e inferiores aos homens, devido às condições sociais impostas pela educação. “Os homens não se reconhecem como agressores", disse a juíza. Em suas audiências, quando necessário, ela faz questão de explicar para as mulheres que elas não são culpadas pela atitude que o agressor tomou, muitas vezes para ter controle absoluto sobre a mulher. "Gênero: conjunto de características sociais, culturais, políticas, psicológicas, jurídicas e econômicas atribuídas de forma diferenciada de acordo com o sexo", informava um dos slides da apresentação da juíza. Ao final do evento, uma mesa redonda com a juíza Danielle Galhano e guardas municipais das Patrulhas Maria da Penha de Mauá, Diadema, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Paulo, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Taboão da Serra e Guarulhos, foi realizada com o objetivo de alinhar questões técnicas para mais eficiência no atendimento às mulheres. Para a juíza, o desafio está na escuta qualificada das vítimas, sem a necessidade de expô-las além do necessário.

